Reinaldo

Vão ter a chance de explicar o inexplicável: STF pede que Cunha e Collor sejam notificados sobre denúncias na Lava Jato

O Brasil desde sempre foi considerado e visto como o país do futuro, tanto internamente como externamente, esse conceito imposto sabe-la por quem de certa forma tirou dos brasileiros aquela confiança necessária no presente, impedindo que a maioria acredite, corra atrás e busque realizar seus sonhos imediatamente. A acomodação de um povo que até outro dia se vangloriava do “jeitinho brasileiro” para resolver os seus problemas é que nos levou a viver o caos no atual momento.

Outro dia presenciei jovens gritando a plenos pulmões contra um governo eleito democraticamente, enquanto pediam em palavras de ordem a intervenção militar. Pobres crianças, muitos sequer tinham nascido quando o Brasil mergulhou em um período negro da sua história, pedem a volta dos militares ao poder porque não viveram o drama daqueles que viviam sem liberdade para nada, foram 21 anos de controle militar, 21 anos de mordaça e nenhuma liberdade política. Quem não viveu o período e nem tomou tempo de verificar a dureza que foi através dos livros de história, sai por aí pedindo para sofrer inconsequentemente.

Como estamos num período de transição entre a Ditadura Militar e a Democracia plena, é normal ver as pessoas defendendo políticos e partidos diante de uma crise sem precedentes como a que estamos vivendo agora. Sou do grupo que não imputa responsabilidades pelos acontecimentos a determinados partidos ou apenas aos políticos citados nos escândalos de corrupção, faço parte dos que acreditam que o problema é complexo, entendo que a responsabilidade é de todo o sistema político, e mais ainda de todos os políticos que aí estão.
O sistema político brasileiro que concede regalias mil aos eleitos, mas abre brechas também para quem sequer tem votos ficar nadando em dinheiro público, muitas vezes em cargos criados só para este fim em troca de apoio político para quem detém o poder, alimentando assim um círculo vicioso que beneficia uns poucos e tira a esperança de muitos de ter uma vida digna. O legado político do Partido dos Trabalhadores é o legado de Lula em seus oito anos à frente do Governo brasileiro, mas nem de longe pode se atribuir esse mesmo legado ou parte dele a Presidente Dilma, que ao contrário do que defende a militância petista, não está dando conta de manter o que foi conquistado nos anos Lula.

Dilma Rousseff não gosta e não sabe fazer política, ao contrário de Lula que viveu o momento mais conturbado dos anos de chumbo fazendo política todos os dias, como líder do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista o pernambucano se graduou e pós graduou na arte de administrar conflitos entre os mais abastados e os menos favorecidos. Lula tinha uma face radical quando se tratava daquilo que ele queria conquistar, face esta que ficou mais serena depois que conheceu e se juntou ao falecido megaempresário do setor têxtil, José de Alencar, que nunca concordou com a política econômica dos governos petistas, aos quais ele se tornou o mais importante fiador.

O partido de Lula e Dilma seguramente vai estar nos livros de história como sendo o partido que privilegiou as classes menos favorecidas da sociedade brasileira, mas seguramente estes mesmos livros reservarão alguns capítulos para destacar o lado negro da legenda, afinal de contas o PT é protagonista dos maiores escândalos de corrupção da história do Brasil, em governos petistas nunca se roubou tanto. Os defensores do governo preferem dizer que a corrupção latente no período Lula e Dilma se dá porque nunca se investigou tanto neste país, mesmo sendo o governo do PT o algoz dos próprios petistas.

Temos um sistema democrático em maturação, houve avanços consideráveis nestes 30 anos de redemocratização, alguns pedaços que preferíamos não nos lembrar, mas reconhecemos que de cada um dos episódios, tristes e alegres, pelos quais passamos nos serviu de aprendizado para que pudéssemos aperfeiçoar nosso sistema político e apurássemos cada vez mais nosso senso e discernimento entre o bom e o ruim para a população do Brasil.

O sistema político brasileiro, por exemplo, é um sistema falido onde não contempla o bem-estar das pessoas como um todo, foi elaborado e é executado apenas e tão somente para que os políticos, eleitos pelo voto ou não, possam ter regalias e benefícios como se estivessem acima do bem e do mal. 

A reeleição é um câncer que precisa ser extirpado imediatamente, se não for pela legislação que precisa ser modificada, que seja através do voto popular, uma vez que o eleitor tem a prerrogativa de não reconduzir ninguém ao cargo após o vencimento do prazo estipulado para o cumprimento do mandato. Em resumo é isso mesmo, se a população não entender que o que gera e alimenta a corrupção neste país são os inúmeros erros que pautam a legislação eleitoral do Brasil, passando pelo sistema político partidário que fomentam a corrupção em todas as esferas dos poderes da República.
No momento que escrevo estas mal traçadas linhas, vejo no noticiário que o Presidente do Congresso Nacional foi denunciado pelo Procurador Geral da República por corrupção. O Senador Fernando Collor também figura como denunciado, justo ele que em outro período triste da nossa história já havia perdido o cargo de Presidente porque cometeu erros de conduta moral, não foi preso e talvez por isso não tenha aprendido nada com o episódio.

Eduardo Cunha denunciado diz que não vai se afastar da Presidência da Câmara, isso pressupõe que poderemos ter um agravamento da crise política, uma vez que até que seja provado o real envolvimento de Cunha com o ilícito, o legislativo seguirá pautado por uma pessoa acusada de corrupção grossa, que pode ter a dimensão exata de seus atos, e que pode cair não sem antes prejudicar toda a nação, afinal de contas ele poderá estar lascado totalmente após julgamento no STF.
A quem Cunha e a oposição pensam enganar? | Brasil 24/7



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Questão Brasil - 09/04/2019

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