Saída de Bebianno do governo depende apenas da publicação da exoneração

O cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Homero de Oliveira lembrou que Bebianno não é “qualquer um” dentro do governo, pois foi um dos integrantes do PSL mais engajados durante a campanha presidencial. “Este fato revela uma instabilidade, em menos de dois meses, de um governo que se mostrou caótico e que concedeu uma liberdade excessiva aos familiares do presidente”, afirmou. Ele ressaltou a preocupação de militares com relação à intervenção demasiada dos filhos nos assuntos do governo.
A imagem pode conter: 1 pessoa, ternoPara o professor, existe um problema moral que atinge o governo e não apenas por conta das supostas candidaturas laranjas envolvendo Bebianno e o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Oliveira ressaltou que esse não é o único problema que o governo enfrenta. Há também a falta de justificativa sobre o escândalo dos depósitos suspeitos envolvendo Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Assim, as constantes crises enfrentadas pela gestão atual podem afetar o discurso anticorrupção feito durante a campanha. “Isso demonstra que o PSL não é tão diferente dos outros partidos que critica”, considerou.
Dificuldades
Segundo o cientista político e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Geraldo Tadeu Monteiro, a crise política e moral exposta pelo Planalto é produto de um governo “totalmente inorgânico”. Ele entende que o chefe do Executivo ainda não tem uma linha política ou programática definida, o que dificulta a governabilidade e o avanço da reforma da Previdência e das demais pautas que o governo pretende encaminhar ao Legislativo. Monteiro considera que a saída de Bebianno pode ser um retrocesso, porque deverá pulverizar ainda mais a base do governo, que já se demonstrou caótica nas primeiras votações no Congresso.
O bate-cabeça entre os integrantes do governo tem criado crises desnecessárias e que poderiam ter sido evitadas, enfatizou Monteiro, que lembra que a acusação feita por Carlos Bolsonaro, filho do presidente e vereador pelo PSC-RJ, por meio de um tuíte, de que Bebianno teria mentido sobre conversas com o pai, gerou uma crise “absolutamente evitável”. “Em qualquer governo mais estruturado essas coisas teriam sido resolvidas internamente”, enfatizou o professor.
Para o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), os três filhos do presidente  não são um problema para o governo, apesar das interferências. “É um caso inédito. Eles são pessoas formadoras de opinião e podem criticar ou tomar posições. Isso é uma democracia. Nenhum pai consegue segurar o filho. Até os 18 anos, orienta. Depois, cria para o mundo. Não pode podar ninguém. Não vou criticar isso”, justificou.

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