O Brasil depende cada vez mais da China. Isso é bom ou ruim?



Desde o período da campanha eleitoral, as críticas do então candidato Jair Bolsonaro à China são conhecidas. Após o início do governo, o presidente baixou o tom, mas seus principais aliados tomaram a dianteira dos ataques, que foram mais incisivos após o surgimento da pandemia do novo coronavírus. Porém, enquanto a guerra ideológica é travada, o Brasil concentra cada vez mais suas exportações no gigante asiático, que é, desde 2009, o maior parceiro comercial brasileiro. Entre janeiro e agosto, as compras chinesas cresceram 14%, na comparação com o mesmo período de 2019, apesar da pandemia. Enquanto isso, o Brasil reduz sua participação no mercado americano. As exportações de produtos como siderúrgicos, celulose, petróleo e café, que somaram US$ 13,427 bilhões, caíram 32,3%.
Para 2021, essa dependência chinesa pode ganhar dois novos ingredientes. O primeiro é o leilão da tecnologia 5G, no qual os asiáticos disputam com europeus o mercado nacional. E, no campo político, caso o democrata Joe Biden vença a disputa contra Donald Trump, em 3 de novembro, Bolsonaro pode enfrentar dificuldades adicionais com os americanos, especialmente na agenda ambiental, prioritária para o democrata. No Ao Ponto desta quarta-feira, Mauricio Santoro, doutor em ciência política e professor de relações internacionais da Uerj, explica as consequências da concentração cada vez maior das exportações no mercado chinês. A repórter Eliane Oliveira, da sucursal de Brasília, conta como o Itamaraty acompanha o cenário.

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Questão Brasil - 09/04/2019