Pelé, o Rei do Futebol



Além de ser considerado um gênio na arte de jogar futebol, o Rei Pelé também pode ser considerado um mestre incomparável na malícia e astúcia, como mostra a jogada na qual enganou o zagueiro Samuel e o árbitro Armando Marques, em um clássico contra o São Paulo, no Morumbi, em um 2 de junho de 1974, pelo Campeonato Brasileiro.

Em seu último ano no Santos, Pelé, aos 33 anos, não tinha ao seu lado os craques de outrora. Naquele domingo, o time perdia por 1 a 0, gol de Mirandinha, aos 20 minutos do segundo tempo, e a partida entrava na fase final sem que o Alvinegro mostrasse sinais de reação.

O Rei olhava ao seu lado e via um ataque santista com Fernandinho, Nenê (depois substituído por Zé Antonio), Mazinho… O que fazer para não amargar uma derrota? No banco, o consagrado técnico Tim também não tinha muitas opções. Foi então que Pelé encontrou uma solução que entraria para o folclore do futebol.

A bola estava com o goleiro são-paulino Valdir Perez, que se preparava para repô-la, e o zagueiro Samuel saía da área de costas para a sua meta. Nisso, Pelé gritou “soltou!, soltou!” e correu para o goleiro, como se ele tivesse largado a bola. É claro que o Rei fez questão de passar ao lado de Samuel, que, assustado, acabou segurando o 10 do Santos. Pelé caiu, gritando, o árbitro Armando Marques marcou pênalti e Valdir Perez ficou com a bola na mão, parado, sem entender nada.

O meia Brecha chutou rasteiro no canto direito do inconformado goleiro tricolor e empatou a partida. Dizem que por muito tempo Valdir Perez, Samuel e Armando Marques amaldiçoaram Pelé por essa jogada que nem os 15 982 espectadores no Morumbi entenderam direito.
Por Guilherme Guarche e Odir Cunha, do Centro de Memória

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Questão Brasil - 09/04/2019