Eleitor de Bolsonaro, Fagner se diz frustrado com presidente: 'Está dando impressão de amadorismo'

Perto de completar 70 anos, com biografia recém-lançada e álbum novo a caminho, Raimundo Fagner foi entrevistado por Pedro Bial no Conversa com Bial desta sexta-feira, 7/6. O encontro foi repleto de clássicos, com direito a palinhas na cadeira, mas o cantor não fugiu de temas mais áridos.
 Raimundo Fagner no 'Conversa com Bial' — Foto: Reprodução/ TV Globo
Amigo de dois ex-governadores cearenses, Tasso Jereissati e Ciro Gomes, Fagner apoiou publicamente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, mas no primeiro turno votou no candidato do PDT.

“No final da campanha começaram a exibir fotos minhas com camiseta do 13. Então desmenti e afirmei. Eu estava querendo essa mudança.”
Sua avaliação do governo, entretanto, não é positiva.

“Tem horas que parece que ele continua na campanha, que ele não combina com a turma dele. Tá sempre tendo um disse-me-disse. Frustra um pouco. Passa uma impressão de amadorismo.“
“Ele não disse que é presidente de todos os brasileiros? Então não é o momento de ficar provocando, ele já fez isso na campanha.”

Craque dos palcos e gramados
O início do papo foi sobre futebol. Torcedor do Fortaleza, Fagner celebrou a boa fase do clube e relembrou os tempos em que brilhava nos gramados como jogador amador. O programa mostrou uma partida em homenagem a ele com nomes como Jorge Ben e Chico Buarque.

Família, passado e presente
Sua biografia recém-lançada, "Fagner - Quem me levará sou eu", da jornalista Regina Echeverria, traz a revelação de que o solteirão mais convicto da MPB é não só papai, mas também avô.

“Rolou na melhor fase da minha vida.”
A obra também conta que seu pai era cantor no Líbano, e assistiu à execução do pai dele, avô de Fagner. Pelo trauma, nunca voltaram ao país. No curta de 1978, "Raimundo Fagner", dirigido por Sergio Santos e que teve um trecho exibido no programa, Fagner fala da influência do pai em seu jeito de cantar.

'O pessoal do Ceará'
Fagner saiu da cena cearense setentista que também tinha nomes como Belchior, Amelinha e Ednardo, uma geração que ficou conhecida como “o pessoal do Ceará”.

“A primeira música que eu fiz foi pra colocar em um festival. O Belchior estava nesse festival e a melhor música que eu achava era dele, e eu terminei ganhando, mas essa música ficou na minha cabeça e eu nunca gravei e eu preciso fazer isso também.”
Fagner e Belchior se tornaram os nomes mais conhecidos dessa geração. O programa relembrou a dupla cantando “Na hora do almoço” no Quarto Festival Universitário da TV Tupi, em 1971.

“Primeiro quero dizer que Belchior é meu tutor, ele que foi me apanhar lá em Brasília, mas não precisava ter me maltratado tanto.”

Críticas
O jornalista também reexibiu sua entrevista com Fagner em 1983 para o Jornal Hoje, que revelava sua relação com as críticas e sua ambição – o cantor costumava dizer que gostaria de vender mais discos que Roberto Carlos. Questionado por Bial se tratava-se de bravata de jovem, ele disse considerar admirável aquela ambição juvenil. “Deslizes” – considerada um sucesso do tamanho de Roberto Carlos – foi tocada no sofá.

'Quem dera ser um peixe'
A pedido de Fagner, Ferreira Gullar adaptou a canção do espanhol, criando a letra que se tornaria um clássico: “quem dera ser um peixe para em teu límpido aquário mergulhar fazer borbulhas de amor pra te encantar”. No programa, Pedro trouxe uma imagem de arquivo em que o poeta revela que peixe, especificamente, era esse que queria nadar no aquário da amada.

Lei Rouanet
Crítico da Lei Rouanet, Fagner foi questionado sobre o uso de dinheiro público em sua biografia. "Quando eu critiquei, acho que foi por causa dos valores altos. Esse livro eu também não sabia, quando soube já tinham pedido."

Briga com Chico Buarque
Fagner lamentou que suas posições políticas o afastaram de amigos, como Chico Buarque.

"Hoje até tomei um Lexotan pra não me provocarem. A última entrevista que eu dei fiquei na geladeira uns 10 anos."

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Questão Brasil - 09/04/2019