Militares e ‘ideológicos’ acirram disputa pela comunicação do governo Bolsonaro

A disputa entre as alas ideológica e militar do governo Jair Bolsonaro tem como pano de fundo o controle do discurso e da estratégia de comunicação do Palácio do Planalto . Auxiliares do presidente ligados ao ideólogo Olavo de Carvalho afirmam que militares são um entrave para posições mais “conservadoras e de direita” do Executivo e promovem uma ofensiva para desgastar o grupo de generais. Os militares, por sua vez, prometem resistir e não ceder a qualquer radicalismo.
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O último alvo dos olavistas foi o ministro Carlos Alberto dos Santos Cruz, chefe da Secretaria de Governo, pasta a qual está subordinada a Secretaria de Comunicação (Secom), chefiada por Fábio Wajngarten. O próximo adversário já foi escolhido: o porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros.

Nos bastidores, integrantes do grupo comemoraram o fato de Rêgo Barros, que também é general do Exército, ter ficado de fora da viagem de Bolsonaro aos EUA. No lugar, embarcou Wajngarten, que disputa o controle do relacionamento com a imprensa com o porta-voz e é desafeto de Santos Cruz.

LINHA DO CENTRO – Os militares, em outra frente, defendem a moderação ao afirmar que têm no “centro” a sua virtude e não cederão à pressão para tomar posturas consideradas por eles radicais. Segundo fontes ligadas às Forças Armadas, uma mudança de conduta só será avaliada diante de uma determinação expressa do presidente, que até o momento não tomou partido publicamente na briga.

Internamente, no entanto, Bolsonaro estaria emitindo sinais de “irritação” com a reação em grupo dos militares às críticas de Olavo de Carvalho, que comandou os disparos contra Santos Cruz e o vice-presidente Hamilton Mourão. De acordo com auxiliares do presidente, Bolsonaro teria aumentado seu descontentamento ao ver a imagem de uma conversa por Whatsapp, supostamente escrita por Santos Cruz, na qual o ministro o chamaria de “imbecil” e sinalizaria aprovar a “solução Mourão”.

GENERAL NEGA – Ao Globo, o ministro negou ser autor das mensagens. Ainda assim, segundo um interlocutor de Bolsonaro, o presidente estaria incomodado com o auxiliar. Dois motivos, no entanto, protegem Santos Cruz. O primeiro deles é que o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, entrou em cena e está tentando achar uma saída para o impasse. Heleno é, hoje, o único militar do alto escalão que Bolsonaro escuta e em quem confia plenamente.

O outro motivo é de natureza política. Bolsonaro não quer melindrar ainda mais parte do PSL simpática a Santos Cruz, num momento de fragilidade do governo no Congresso. Bolsonaro sabe que uma eventual demissão de Santos Cruz é explosiva e poderia tornar ainda mais explícitos os entraves nas relações cada vez mais tensas que mantém com boa parte do núcleo militar do governo.

DECRETO – Nesta quarta-feira, Santos Cruz se fortaleceu. Um decreto de Bolsonaro conferiu à Secretaria de Governo, chefiada pelo militar, a atribuição de avaliar indicações para postos de segundo e terceiro escalão, reitores de instituições federais de ensino e para funções no exterior. O decreto entra em vigor em 25 de junho.

Um dia antes, na terça-feira, Bolsonaro se reuniu na com Santos Cruz e Heleno. Na conversa, segundo um auxiliar do presidente, ele pediu para os ministros “aprenderem a engolir sapo, serem mais políticos e menos militares e entenderem que o governo é de direita e que ele pretende levar adiante todas as pautas que o elegeram”. Heleno conseguiu depois que Santos Cruz integrasse a comitiva presidencial na viagem a Dallas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É um governo marcado pela intriga e pela fofoca, que acabam se transformando em teorias conspiratórias. Perde-se um tempo enorme com essas bobajadas e o governo fica parado, ao invés de estar procurando solução para os graves problemas nacionais. Achar que a reforma da Previdência vai tirar o país da crise é apenas uma ilusão à toa, no estilo Johnny Alf. (C.N.)
Jussara Soares, Gustavo Maia e Jailton de Carvalho/ O Globo


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Questão Brasil - 09/04/2019