Janaina sai vencedora e o partido de Bolsonaro também não apoia a manifestação

Após o presidente Jair Bolsonaro anunciar que não irá participar dos protestos convocados por seus apoiadores para o próximo domingo, o seu partido, o PSL, também deliberou, nesta terça-feira, não apoiar institucionalmente as manifestações. A decisão foi tomada em reunião na sede do partido, com a presença de Luciano Bivar, presidente do PSL, Major Olímpio (SP), líder da sigla no Senado, Delegado Waldir (GO), líder na Câmara, Carla Zambelli (SP), Julian Lemos (PB) e outros parlamentares.
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— Sou de rua há muito tempo, e manifestação de rua não precisa de apoio político, de apoio partidário — diz Carla Zambelli, que irá participar.

POR CONSENSO – Segundo Bivar, que promete ir à passeata, a decisão foi consensual de que o partido deveria apoiar o presidente da República, mas não endossar institucionalmente a manifestação. A ideia é que pautas como pedidos de intervenção militar, por exemplo, não sejam associados à sigla. O movimento que chamou o protesto é espontâneo, afirmou.

“O PSL, como partido, apoia qualquer movimento em defesa do presidente da República, mas esse movimento não nasceu do PSL. Todos nossos parlamentares estão liberados para ir se quiserem. A gente não pode, de corpo e alma, estar integrado a um movimento que a gente não tem controle sobre ele”.

SEM O CENTRÃO – Segundo Bivar, “em nenhum momento esse movimento é atacando o centrão”, ou seja, o grupo composto por PP, PR, DEM, SD, entre outros, alvo frequente de bolsonaristas nas redes sociais.

“Eles estarão também a favor do melhor para o Brasil. Não estão contra as nossas pautas”, ressalvou Bivar, que depois manifestou preocupação com o tom da manifestação e disse que não apoia ataques ao Parlamento.

“A gente está tão bem com os outros partidos, e a gente tem receio de que levem isso para um lado partidário. Um lado de conservadorismo, de que o PSL está contra o Parlamento de maneira geral. Muito pelo contrário. Nós admiramos o comportamento da presidência da Câmara, do Rodrigo Maia”.

NEM PRECISAVA – O presidente do PSL afirmou ainda que, em sua opinião, Bolsonaro não precisa de apoio. “Nós estamos no poder democraticamente, nosso presidente é eleito legitimamente, não cometeu nenhuma improbidade, não há nenhuma imoralidade no governo, nenhuma violação à contabilidade fiscal do país. Então por que apoiar, apoiar o quê?”

Mais cedo nesta terça-feira, Luciano Bivar havia dito que não vê motivos para a realização dessas manifestações, cujos organizadores vêm criticando o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) e os partidos do “centrão” nas redes sociais.

“As críticas ao Centrão e Congresso são coisas públicas, iniciativas isoladas. Não é nada do partido” — disse Bivar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como se vê, os dirigentes do PSL seguiram a sugestão da deputada paulista Janaina Paschoal, que apontou a inutilidade dessa manifestação. E hoje o presidente do PSL, Luciano Bivar, disse a mesma coisa: ‘Não tem por que existir qualquer manifestação’. (C.N.)
Natália Portinari/ O Globo


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Questão Brasil - 09/04/2019