Ai ferrou! Bolsonaro é refém da democracia, e a solução da crise depende do Congresso

Um dos maiores desafios da vida é antever o que vem pela frente, mas o verdadeiro jornalismo não trabalha com suposições É preciso levar sempre em consideração os fatos concretos, para que a partir deles possam ser aventadas as hipóteses realmente possíveis de acontecer. No caso do Brasil atual, pode-se dizer, sem medo de errar, que o governo está inteiramente desconexo. O presidente Jair Bolsonaro já mostrou que não tem vocação para governar, fazendo até ressurgir a possibilidade de adoção do semi-parlamentarismo que os tucanos tanto acalentam, mas nada disso vai resolver a crise.
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Essas especulações dominam Brasília, onde o clima – sem o menor exagero – é de fim de feira, um caos. Ninguém sabe o que fazer, e quando esse sentimento predomina é melhor que ninguém faça nada. O importante é que ainda vivemos numa democracia e essa situação precisa ser preservada a qualquer custo.

CRISE GRAVE – Sob qualquer ponto de vista, é grave a crise. O país caminha para um estado de estagflação – com a economia em recessão e em inflação, ao mesmo tempo, uma espécie de coquetel Molotov econômico, que estará configurada no final do segundo trimestre sem crescimento.

O presidente Bolsonaro não entende de economia e delegou poderes ao ministro Paulo Guedes, que não é um cidadão acima de qualquer suspeita, na visão do cineasta Elio Petri, pois é investigado no Ministério Público do Rio de Janeiro e no Tribunal de Contas da União por gestão temerária de recursos dos fundos de pensão.

Não há como mudar essa situação, pois Bolsonaro não irá substituir o frentista de seu “Posto Ipiranga”. Isso significa que a esperança dos brasileiros terá de se concentrar no Congresso, que está analisando e aperfeiçoando as propostas do governo.

ILUSÃO À TOA – Muitos eleitores de Bolsonaro julgaram que ele iria botar para quebrar, reduzindo salários dos marajás e limpando a política, mas não é assim que a banda toca, pois o poder presidencial tem limites, embora o próprio Bolsonaro, com 28 anos de Câmara, não tenha percebido essa realidade.

Desta vez, os militares que estão no poder se veem submetidos às regras constitucionais, não podem baixar atos institucionais nem desconhecer direitos adquiridos. Isso significa que as desigualdades sociais serão mantidas, as castas da nomenclatura continuarão com seus altos salários, gratificações, penduricalhos, mordomias, medalhões de lagosta e vinhos premiados – e o povo que se exploda, como diria o genial Chico Anysio.

Assim é a democracia. E os privilégios que o Supremo classifica de “direitos adquiridos” não podem ser revogados, salvo por emendas à Constituição, que dependem do Congresso, mas depois o STF pode até considerá-las inconstitucionais, vejam como somos reféns desta nomenklatura.

PARADOXOS – O governo quer reformar a Previdência, mas não incluiu os militares, um dos setores mais negativos no custo-benefício, e isso é um fato concreto, não se trata de suposição. Alem de não serem atingidos na reforma, os militares vão receber reajuste salarial, demonstrando quem está no poder atualmente no Brasil.

Em meio a esses paradoxos, o ministro Paulo Guedes, czar da economia, finge que a dívida pública não existe e garante que a crise econômica se resolverá com a reforma da Previdência. É um farsante, um ilusionista.

Mas cabe ao Congresso dar a palavra final e fazer uma reforma justa. Mais do que nunca dependemos dos parlamentares.

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P.S. 1 – E a solução? Bem, a solução é dar força e pressionar o Congresso a fazer a coisa certa – convocar auditorias e aperfeiçoar a reforma da Previdência, incluindo militares e servidores estaduais e municipais, para reduzir os gastos. Em seguida, redefinir a dívida pública, eliminando juros compostos e toda espécie de manipulação, especialmente o pagamento de juros que remuneram recursos dos bancos retidos diariamente em depósitos compulsórios no Banco Central. 

P.S. 2 – Quanto a Bolsonaro, o país o elegeu. Portanto, deve ser mantido no trono, como figura decorativa, cercado dos filhos, os príncipes-regentes.  E vamos pressionar o governo para efetivamente trabalhar. Não há outra saída institucional, a não ser que o país queira uma nova ditadura. (C.N.)
Carlos Newton


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Questão Brasil - 09/04/2019