Evangélicos acham que o MEC lhes pertence e querem substituir o ministro Vélez

Renata Mariz/ O Globo
Tribuna da Internet

Chamado nesta sexta-feira ao Palácio do Planalto em meio à crise que paralisa o MEC, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, mantém-se no cargo, mas a corrida para indicar um eventual substituto já movimenta grupos aliados ao governo. De um lado, alas ligadas aos evangélicos deram sugestões de nomes para o presidente Jair Bolsonaro. Os militares do entorno do presidente, por outro lado, também receberam recomendações sobre possíveis ocupantes da pasta com capacidade para debelar a crise interna.
O ministro da Educação, Ricardo Velez Rodriguez 26/02/2019 Foto: UESLEI MARCELINO / REUTERS
Um dos cotados no banco de apostas é o engenheiro Anderson Ribeiro Correia, escolhido pelo atual governo para presidir a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tendo passado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O nome dele ganhou força entre os grupos religiosos que apoiam Bolsonaro. Correia é evangélico.

MALAFAIA EM AÇÃO – Quando a notícia de que Vélez fora chamado ao Planalto causou rumores de que seria demitido, mensagens defendendo o nome de Correia foram enviadas ao presidente Bolsonaro e ao ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil. Um dos remetentes foi o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

Correia é apresentado como um perfil adequado para apaziguar a briga atual de diferentes grupos no MEC. Além de formação técnica, é religioso e tem ligação com militares. No entanto, ele não é nome de consenso entre os evangélicos.

A bancada religiosa está estremecida com Bolsonaro e tem ligação com Ricardo Roquetti, coronel da Aeronáutica demitido por Vélez por ordem do presidente, após ter sido alvo de críticas do escritor Olavo de Carvalho. O grupo de seguidores de Carvalho, que se autodenominam “olavetes”, acusou Roquetti de blindar o ministro e assessorá-lo mal.

REITOR DO ITA – Dessa forma, segundo fontes, o fato de ter sido reitor do ITA não coloca Correia no grupo de indicados por militares de alta patente com influência no governo. O deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), um dos representantes da bancada evangélica, defende a indicação do engenheiro, caso Vélez seja demitido:

— Não falo em nome da frente parlamentar (evangélica), mas se puder contribuir com o governo nesse momento, acho que o Anderson Ribeiro Correia é um bom nome. É melhor arrumar a casa com alguém que já está dentro.

Nomes de militares que poderiam substituir Vélez também chegaram a generais que auxiliam o presidente Bolsonaro. Os perfis sugeridos estão ligados ao grupo de transição, que se reunia em Brasília para tratar da educação.

MUITA CONFUSÃO – Servidores das Forças Armadas que conhecem os meandros do MEC foram chamados ao Planalto nesta semana para assessorar a cúpula do governo, que tem dificuldade de compreender os últimos acontecimentos na pasta.

Desde a semana passada, o ministério passa por uma crise provocada pela guerra por espaço travada entre os grupo de militares, o quadro mais técnico e a ala de viés ideológico, que inclui os “olavetes”. A confusão já levou a demissões e deslocamento de pessoas na estrutura do MEC. Vélez trocou o secretário-executivo, “número dois” na pasta, duas vezes em apenas três dias.

Luiz Tozi, que estava no cargo de secretário-executivo do MEC desde o início do governo, caiu na terça-feira após Olavo de Carvalho pedir sua cabeça. Rubens Barreto, que era sub de Tozi, foi indicado, mas também não resistiu aos ataques do mesmo grupo. Na quinta-feira, o ministro anunciou Iolene Lima, especialista em educação ligada a escolas cristãs que é evangélica. Ela figurou como o terceiro nome no cargo em quatro dias.

SINAL VERMELHO – A falta de nomeação de Iolene em Diário Oficial da União, porém, acendeu o alerta vermelho sobre a frágil situação de Vélez. Os rumores de uma possível demissão aumentaram na parte da tarde, quando o ministro foi ao Palácio do Planalto e se encontrou com Onyx Lorenzoni.

Na berlinda, Vélez Rodríguez abandonou hoje o tom cerimonioso com que costuma publicar mensagens no Twitter e disparou críticas contra a imprensa. Após os rumores de sua demissão, ele escreveu:

“A mídia cumpriria seu papel com os cidadãos deste país se sua real preocupação fosse informar. Qual o interesse de vocês em fomentar uma atmosfera apocalíptica? Torcer pelo sucesso do Governo é uma opção, mas vocês querem manchetes escandalosas” #brasil”, escreveu.

Evangélicos acham que o MEC lhes pertence e querem substituir o ministro Vélez

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Questão Brasil - 09/04/2019