Plantão de Polícia: Ex-assessora de Flávio Bolsonaro foi beneficiada por verba pública, diz Folha

Verba do fundo eleitoral repassada a candidatas do PSL no Rio de Janeiro beneficiou a empresa de uma ex-assessora de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e parentes de outra colaboradora do agora senador.

As informações foram publicadas pelo jornal Folha de São Paulo.
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De acordo com a reportagem, uma das beneficiadas foi a contadora Alessandra Ferreira de Oliveira, primeira-tesoureira do PSL no Rio de Janeiro, partido presidido por Flávio, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Nas eleições, a empresa dela recebeu R$ 55,3 mil a partir de pagamentos de 42 candidatos do PSL no Rio. Desse total, segundo a Folha, R$ 26 mil tiveram como origem 33 candidatas que só receberam verba do diretório nacional no fim da eleição.

Também se beneficiaram dois parentes de Valdenice de Oliveira Meliga, tesoureira do diretório estadual do PSL.

Das 33 candidatas que contrataram Alessandra, 26 tiveram menos de 2 mil votos. Mais da metade dos R$ 2.857,14 enviados a essas candidatas pelo partido tiveram o mesmo destino: R$ 750 para a Ale Solução e Eventos, empresa de Alessandra, e igual valor para um escritório de advocacia.

A irmã e a nora de Valdenice registraram candidatura em setembro, substituindo duas mulheres que haviam desistido de concorrer. Embora as duas tenham tido as candidaturas indeferidas, não recorreram da decisão e realizaram as transferências para a empresa de Alessandra.

CANDIDATURAS-LARANJAS
Neste mês, a Folha de São Paulo revelou que o partido ao qual o presidente da República pertence transferiu alto volume de dinheiro público em Pernambuco e Minas Gerais para candidaturas laranjas – aquelas que tiveram votações extremamente baixas.

O escândalo resultou na demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que presidiu o partido nas eleições de 2018.

No Rio, no entanto, a reportagem da Folha identificou um processo diferente já que não houve grande repasse a pequenas candidatas, mas várias fizeram pequenas transferências para a mesma beneficiária.

Candidatas relataram à Folha que o PSL-RJ informou que poderia oferecer de forma gratuita apoio contábil e jurídico às candidatas. Resolução do Tribunal Superior Eleitoral exige a assinatura de contador ao prestar contas.

Segundo relatos à reportagem, a cobrança começou após o PSL Nacional confirmar a liberação dos recursos.

Andrea Cunha, que se candidatou a estadual, disse ao jornal que Alessandra ameaçou não liberar recursos porque ela já havia contratado outra contadora. “Foi aquela briga danada. Quando achava que não ia receber, caiu na conta.”

Alessandra trabalhou para outros oito candidatos, entre eles o próprio Flávio, de quem recebeu R$ 5.000. O PSL-RJ também lhe pagou R$ 1.500.

PARENTES DA VALDENICE
Segundo a Folha, as candidatas tiveram liberdade de usar os R$ 1.357,14 restantes, e a verba restante também beneficiou parentes de Valdenice, a tesoureira do PSL-RJ. O irmão, Paulo Eduardo Rodrigues de Oliveira, recebeu R$ 1.350. Renan Meliga dos Santos, sobrinho do marido, também foi contratado por R$ 7.500 para locação de veículos.

Val, como é conhecida, é considerada uma das assessoras mais próximas do filho de Jair Bolsonaro. Ela foi escolhida como presidente do PSL na cidade do Rio e também é irmã de dois PMs presos em operação que investiga uma quadrilha de policiais que praticam extorsão.

OUTRO LADO
Alessandra Ferreira de Oliveira disse que o valor cobrado das candidatas foi “irrisório”. Ela negou ter exigido sua contratação para garantir a liberação dos recursos do diretório nacional do PSL.

Flávio Bolsonaro afirmou que as candidatas tiveram liberdade para escolher os profissionais que conduziriam suas prestações de contas.

“Ouvidas a maioria delas [ex-candidatas], restará evidenciada a verdade, ou seja, de que tudo se deu de modo transparente e em respeito às normas legais e éticas”, disse em nota à Folha. O senador não comentou a contratação de parentes de Valdenice com dinheiro do fundo —procurada, ela não respondeu.

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Questão Brasil - 09/04/2019