GALVÃO BUENO DETONA ATUAL FASE DA SELEÇÃO BRASILEIRA!

Uma opinião como a de Galvão Bueno tem um peso gigantesco em qualquer contexto, o narrador da Globo e seus pares também detonaram Luiz Felipe Scolari após o desastre de 2014. Puxavam o saco e enaltecia o trabalho do então técnico corintiano Tite que ganhava quase sempre os jogos por 1 a 0.  
Não falta futebol na atual fase, e nós jornalistas muitas vezes temos nossas preferências clubistas que impede que façamos uma colocação sem paixão. Falta memória aos comentaristas da Globo e existe uma seletiva falta de memória a todos.
Depois do fatídico 7 a 1 para a Alemanha, não foram poucos os profissionais de imprensa que cobraram uma mentalidade européia em relação aos esquemas táticos, pensamento coletivo e mais profissionalismo fora das quatro linhas. Destruíram em pouco tempo todo o trabalho de anos do Felipão, sempre elevando o estilo Tite, se mostraram decepcionados com a CBF após convocar o capitão Tetra, Dunga, para comandar o escrete e não foram poucos os jogos que até torceram contra a Seleção para colocar Tite no lugar. Mesmo após a queda na Copa da Rússia, a lua de mel com Tite parecia que ia durar... Parecia.
Agora dizem justamente o contrário, não no todo, mas é fácil perceber que a cobrança agora é pela falta de "desobediência tática" e aplicação da genialidade individual dos nossos jogadores. 
O que falta ao Brasil nesse momento é talento, improviso e alguém que faça algo realmente diferente. As outras seleções evoluíram justamente na disciplina tática, no uso da tecnologia e o fortalecimento financeiro de suas ligas que por contar com os melhores atletas acabam por aperfeiçoar os jovens talentos ao longo do tempo.
Enquanto no Brasil os campinhos de terrão estão desaparecendo, os europeus estão usufruindo do poder econômico para desenvolver o seu futebol desde as categorias de base. 
O futebol é simples para quem tem o dom, mas não percebemos com facilidade o surgimento de um garoto diferenciado na periferia, hoje tudo envolve muito dinheiro desde cedo, uma mídia predatória que na mesma velocidade que projeta um novo Pelé, é capaz de moer um talento antes mesmo que ele desponte na carreira... Tudo é muito rápido, desde a promoção dos bons atletas como a sua destruição.
Profetas da bola previam que os africanos ganhariam uma Copa do Mundo em pouco tempo, o principal fator era a irresponsabilidade tática e capacidade, comparável aos brasileiros, de improvisar nas situações mais adversas... O dinheiro europeu invadiu o continente  e os grandes nomes dos países africanos são cada vez mais raros de se destacar nos gigantes do velho continente.
O Brasil padece do mesmo mal, nossos craques estão deixando o Brasil cada vez mais cedo, e por valer muita grana logo são convencidos a agir dentro das regras de um profissionalismo insano com regulamentos tão rígidos que ao invés de aprimorar o talento nato, acaba por sufoca-lo. Não confundam jamais organização com esse profissionalismo predatório.
O Brasil necessitava se adequar aos novos tempos fora das quatro linhas, ser organizado fora de campo sem prejudicar a essência dos nossos jogadores dentro dele. O futebol está igual no mundo todo, ganharam o físico e a disciplina dos europeus e asiáticos; perderam os sul-americanos e africanos no quesito improviso e genialidade.  
Tite, cujo o estilo se assemelha ao futebol europeu, parece ter perdido o apoio incondicional da imprensa. Os jornalistas parecem não ver mais graça em ganhar de 1 a zero e achar que é goleada ou ver o nosso centroavante correndo atrás de lateral.

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Questão Brasil - 09/04/2019