Bolsonaro tuíta contra o PSOL, partido de Jean Willys

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O presidente Jair Bolsonaro destacou nesta sexta-feira os vínculos do homem que o esfaqueou antes do primeiro turno das eleições presidenciais com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ao qual pertence o deputado Jean Wyllys.

Wyllys renunciou a seu cargo na véspera e se exiliou alegando ter sofrido ameaças contra sua vida.

"Alguns passos de Adélio Bispo, ex-afiliado do PSOL, o criminoso que tentou matar Jair Bolsonaro", é o título da mensagem do chefe de Estado, postada no Twitter pouco depois de sua volta da Suíça, onde participou no Fórum Econômico Mundial de Davos. 
O post enumera oito pontos de como Adélio Bispo de Oliveira agiu com seus cúmplices, e Bolsonaro cita cinco vezes o PSOL, partido ao qual o autor do atentado foi afiliado até 2014.

Depois da postagem hashtag #InvestigarJeanWyllys entrou para os "trending topic" da rede social. 
Wyllys anunciou na quinta-feira que desistiu de assumir seu terceiro mandato como deputado e optou por se exilar ante o número crescente de ameaças que recebe desde a eleição de Bolsonaro.

"Preservar a vida ameaçada também é uma estratégia de luta por dias melhores", tuitou o deputado do PSOL, que deveria iniciar seu mandato em 1o. de fevereiro. 
O PSOL também é o partido da vereadora carioca Marielle Franco, negra, lésbica e conhecida por suas críticas à violência policial nas favelas. Ela foi morta a tiros em março do ano passado e o crime ainda não foi esclarecido. 
Wyllys teve um enfrentamento com Bolsonaro e cuspiu no rosto do futuro presidente durante a votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, depois que o então deputado prestou homenagem ao coronel Ustra, um conhecido torturador do regime militar (1964-85).

Bispo esfaqueou Bolsonaro no abdômen durante um comício eleitoral em 6 de setembro em Juiz de Fora, Minas Gerais. 
Por causa desse atentado, o presidente carrega uma bolsa de colostomia que deve ser removida na segunda-feira.

A investigação policial concluiu que Bispo agiu por "inconformismo político", mas "não contou com a participação de ninguém".

Em um processo paralelo, o Ministério Público Federal ampliou a investigação por 90 dias para descobrir quem pagou os advogados do agressor. 
Bolsonaro se absteve até agora de todos os comentários diretos sobre a desistência Wyllys.

Após o anúncio, ele tuitou: "Grande dia!", o que foi interpretado pela imprensa e pelos internautas como uma celebração do anúncio do afastamento de Willys.

Essa interpretação foi posteriormente negada como "fake news" pelo presidente, que acusou a mídia de orquestrar campanhas contra ele. 
Também esclareceu que seu entusiasmo se deveu aos bons resultados de seus contatos com empresários em Davos.

O vice-presidente Hamilton Mourão declarou nseta sexta-feira: "Quem quer que ameace um parlamentar comete um crime contra a democracia".

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Questão Brasil - 09/04/2019