Caso de Flávio Bolsonaro traz à tona a imoralidade que contamina a política

Desde sempre, o Poder Legislativo é formado por deputados e senadores, as Assembleias Legislativas por deputados estaduais e as Câmaras Municipais por vereadores. Como são eleitos pelo povo, que está espalhado por todo o País, é mais do que normal, que, de acordo com seus regimentos internos, tenham autorização para contratarem funcionários em comissão para representá-los nas mais distantes cidades, sem obrigação de comparecerem ao órgão contratante e diariamente assinarem o ponto.
De acordo com arquivos dos jornais, antes da Lei do Nepotismo, em muitos gabinetes parlamentares havia pais, mães, irmãos, namoradas etc., legalmente contratados e incluídos na folha de pagamento. Recebiam seus vencimentos e, se quisessem, poderiam doá-los integralmente e em parte para o caixa de futuras campanhas eleitorais do parlamentar contratante.

NEPOTISMO – Com a Lei do Nepotismo, os parentes foram sendo descartados, mas os amigos continuam em cena, nos níveis municipal, estadual e federal. Se for passado um pente fino nos gabinetes dos parlamentares, vai ser um escândalo incomensurável, especialmente nos escritórios que senadores e deputados mantêm em seus Estados, com tudo pago às custas do Congresso, inclusive o combustível, perguntem ao senador Magno Malta.
O levantamento da Operação Furna da Onça estava caçando corruptos de alto coturno, acabou pescando um peixe menor, mas de grande valor, por ser da família presidencial, que se atualmente comporta como se fosse família imperial, dona do país.
O azar de Flávio Bolsonaro é que está ficando provado se tratar de um político de terceira classe, que não se contenta com o elevado salário e se julga no direito de cobrar pedágio dos assessores.

SEM CAUTELAS – De se convir que, no caso em destaque na mídia, Flávio agiu com excesso de confiança, deixando que seu motorista e assessor criasse uma verdadeira penca de funcionários-fantasmas, sem as cautelas de praxe.
Quem quer praticar ato imoral deve se acautelar. O mundo gira e chega o dia em que aquela bomba que parecia desativada explode de repente, espalhando destroços por todos os lados.
E não adianta querer culpar o PT pelo fato desse caso vir ocupando a mídia inteira sem parar. A família Bolsonaro está no centro das atenções porque se elegeu pregando a moral e os bons costumes. Mas o comportamento do deputado Flávio Bolsonaro indica exatamente o contrário e até envolve o pai e a madrasta num modesto cheque de R$ 24 mil.

SEM DISCURSO LÓGICO – Por óbvio, a ocasião é aproveitada para deixar Jair Bolsonaro sem discurso lógico contra a corrupção. Então, que ele e seus filhos prestem as informações plausíveis e apresentem as justificativas cabíveis. E que o presidente eleito, uma vez no comando do país, não se esqueça da seguinte agenda:
1 – cobrar de Silvio Santos, dono do Banco Panamericano, o ressarcimento de mais de 5 bilhões de reais decorrentes de crimes financeiros cometidos por seus funcionários de confiança na gestão temerária daquele banco;
2 – exigir a responsabilização da diretoria da Caixa Econômica Federal, na época do governo Lula, que comprou 49% do Panamericano antes que houvesse a intervenção pelo Banco Central e a consequente falência, que destruiria o grupo empresarial de Silvio Santos.
3 – verificar as razões pelas quais a Caixa Econômica Federal ainda persiste anunciando diariamente na rede de TV de Silvio Santos, ou seria uma espécie de permuta?
4 – pedir ao COAF, tão competente no exame das ilegalidades cometidas na Assembleia do Rio, que explique como o presidente do STF, Dias Toffoli, além da remuneração como ministro, pode receber mensalmente mais R$ 100 mil do escritório de advocacia de sua esposa, transferindo, ao mesmo tempo, R$ 50 mil a título de pensão à sua ex-mulher, como divulgado por toda a mídia, sem que o ministro se manifestasse ou desse um pio que fosse.
5 – verificar, urgentemente, por que os bancos particulares podem cobrar juros de até 400% ao ano de uma população que tem mais de 60 milhões passando fome e abaixo da linha da pobreza.
6 – divulgar quanto o governo federal está gastando, mensalmente, com as cinco redes de televisão e grandes veículos da mídia, inclusive as verbas publicitárias das estatais e das empresas que compõem o chamado Sistema S (Sesc, Sebrae, Senai etc.).
7 – se a Previdência está falida, favor divulgar os nomes dos seus principais devedores, inclusive veículos de comunicação, que, acertadamente, defendem a urgência da reforma da Previdência.
8 – divulgar o número de funcionários de cada embaixada brasileira no estrangeiro, o gasto total anual e os respectivos cargos, inclusive os adidos militares e policiais.
9 – obrigar as empresas que oferecem planos de saúde a divulgarem as justificativas para elevarem tão acentuadamente os valores cobrados dos segurados. Por que não criar um sistema de crédito a ser acumulado, ao longo da vida, pelos segurados, garantindo aos que menos usam o plano um valor menor do que aquele cobrado indistintamente de todos?
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P.S. 1 – O futuro governo tem muito a fazer contra a amoralidade (ou imoralidade) que domina o poder público. Mas precisa lembrar que o exemplo deve começar em casa. (C.N)
Por Carlos Newton/ Tribuna da Internet

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